O desenvolvimento local é uma estratégia que considera o desenvolvimento de comunidades identificadas geograficamente por seus recursos e potencialidades. Portanto, quando falamos de desenvolvimento local, falamos do desenvolvimento das pessoas e de suas comunidades. Trata-se de criar e favorecer condições para que pessoas e comunidades potencializem suas habilidades, conhecimentos e experiências e possam “aproveitar oportunidades, satisfazer necessidades, resolver problemas e melhorar sua qualidade de vida e de convívio social”. A idéia central de desenvolvimento é passar de uma determinada situação para outra melhor.
Começamos a planejar de forma coletiva, integrando os setores da sociedade em torno de planos que gerem uma dinâmica econômica capaz de promover o desenvolvimento social e preservar o meio ambiente, levando em conta as gerações futuras.
Tomamos o município como referência de lugar, mas sabemos que o local se constrói e se define por uma identidade e por uma prática que desenham seus próprios contornos e limites geográficos. Diante disso, e considerando que prefeituras ainda não reconhecem a força política do movimento comunitário que surge no cerne da sociedade, optamos por capacitar lideranças de bairros que, por sua vez, se articulam com os vizinhos e criam uma governança local. A partir de então, os líderes debatem e definem uma visão de futuro. Perguntam como desejam que o local esteja, ou seja, nos próximos dez anos. Depois identificam recursos comunitários, talentos, equipamentos e oportunidades, além das necessidades a serem tratadas. Chega o momento de definir prioridades e o plano que conduzirá ao futuro desejado.
O Senac São Paulo trabalha no desenvolvimento de comunidades há mais de três décadas. Mas foi nos últimos cinco anos que iniciamos uma mudança de foco nessa atuação.
Até 2000, centrávamos os investimentos na educação profissional e ofertávamos os programas a pessoas de comunidades economicamente desfavorecidas. Ficávamos por seis meses prestando serviços em diversos locais da cidade de São Paulo. No final do período, íamos para outros pontos. Mas percebemos que esse tipo de ação não se sustentava nas comunidades. Entendemos que era preciso capacitar os gestores e educadores comunitários para que pudessem gerir melhor seus projetos, promover outros e continuar as ações com parcerias e mobilização de recursos que as sustentassem.
Na época, as organizações trabalhavam isoladamente. Começamos, então, a fomentar encontros entre pessoas e entidades a fim de construir compromissos em torno de projetos que melhorassem a vida das populações. Nesse momento surgiu o Programa Rede Social, que se tornou, com o tempo, um grande celeiro de iniciativas de transformação social. Hoje, mais de 150 projetos são gerados anualmente com recursos das próprias comunidades e uma forte mobilização de voluntários.
O papel de fomentador exige que o Senac desenvolva meios eficazes para as redes se integrarem e atingirem o convívio social de uma localidade. Cada etapa planejada e realizada para que isso ocorra precisa ser comunicada, trabalhada e compartilhada por todos os integrantes da rede. O site www.sp.senac.br/redesocial existe para a rede se conectar e fazer acontecer. É nele que você pode encontrar informações relevantes, identificar-se com as questões que estão sendo tratadas, ajudar a apontar soluções e vibrar com os acertos e desafios da responsabilidade social da rede.
Nos últimos dois anos, foram executados pela rede social mais de 200 projetos em conjunto. Por si só, o número demonstra a capacidade de as comunidades produzirem, otimizarem recursos, potencializarem resultados e transformarem a vida das pessoas e da sociedade. Mostra ainda que o fato de a comunidade ser protagonista de seu desenvolvimento favorece a sua própria sustentabilidade.
Para sustentar esse processo, a nossa metodologia propõe que os grupos se orientem por objetivos comuns, busquem resultados nas ações e, fundamentalmente, gerem e mantenham relações de confiança. Ou seja, pratiquem o diálogo, debatam e construam de forma compartilhada estratégias, ações e projetos que melhorem a vida da comunidade. No início da década, começamos a sistematizar esses encontros e, a partir dessa prática, definimos e trabalhamos com um conceito de rede: um sistema capaz de reunir e organizar pessoas e instituições de forma igualitária e democrática, a fim de construir novos compromissos que beneficiem as comunidades.
O movimento cresceu, e em 2003 optamos por trabalhar a proposta em diversas cidades do interior de São Paulo. Percebemos que havia potencial, entusiasmo e energia nesses locais. Também passamos a entender que a questão da identidade cumpria um papel importante para o sucesso das redes: quanto mais as pessoas de um local se articulavam em torno de objetivos comuns, mais elas se desenvolviam. Começamos, então, a motivar as organizações sociais para que procurassem parcerias com os setores público e empresarial com a intenção de ampliar o escopo da atuação.
Nosso papel passou a ser o de articular e mediar o processo, atuando de forma democrática a fim de garantir a participação igualitária dos componentes e transformar os compromissos estabelecidos em projetos implementados. A prática gerou vínculos fortes entre as pessoas e organizações participantes e favoreceu a construção de planos de desenvolvimento locais.